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Peregrina neste mundo

Sou peregrina na terra; não escondas de mim os teus mandamentos. Salmos 119:19

Peregrina neste mundo

Sou peregrina na terra; não escondas de mim os teus mandamentos. Salmos 119:19

O Perigo Mortal da má Teologia

Quase a terminar a leitura do livro de Michael Horton, "Bom Demais Para Ser Verdade", deparei-me com um relato para o qual todos nós, cristãos, devemos atentar e tomar como alerta. 

"... Existe uma batalha cósmica entre o reino de Deus e o de Satanás, e as nossas vidas fazem parte do drama que se desenrola disso. Embora não ousemos reduzir o nosso sofrimento físico ao âmbito de batalha espiritual, também não devemos perder este aspecto importante de todo o sofrimento. [...] Durante as provações, estamos num tribunal, como Jó e como o nosso Senhor, com Satanás assumindo o papel de promotor público e Cristo como nosso advogado de defesa. O objectivo de Satanás nessa disputa é roubar-nos a nossa confiança na misericórdia da vontade de Deus para connosco, enquanto o objectivo de Deus é fortalecer-nos.

 

Assim como as batalhas físicas envolvem batalhas espirituais, o reverso também acontece. Encontrei-me para almoçar com um jovem que me disse que, apesar da sua criação cristã e fé em Jesus Cristo, perguntava-se se era homossexual. Durante a nossa conversa ficou claro para mim que ele não era gay, mas sim um cristão que lutava contra a tentação de ceder ao homossexualismo. Primeiro, ele estava preocupado com o facto de poder ser gay. Isso é um sinal rudimentar de arrependimento diferente daqueles que se consideram gays - ou seja, que afirmam um estilo de vida homossexual. Além disso, ele professava a sua fé em Cristo, não só da libertação da culpa como também da tirania do pecado. Desejava ser liberto dessa tendência pecaminosa.

 

O problema, é que o seu pastor não via as coisas desse modo, dizendo ao jovem que ele tinha sido "entregue ao pecado" como Paulo descreveu a condição do coração não regenerado (Romanos 1:28). Esse pastor entendeu o termo "entregue" como referência ao desejo homossexual; enquanto Paulo, na verdade, estava a tratar a homossexualidade (Romanos 1:24-27) como um exemplo do que se torna socialmente aceitável quando o conhecimento de deus é ofuscado. Noutras palavras, de acordo com Romanos, "entregou" não descreve os que lutam contra a homossexualidade; pelo contrário, a homossexualidade é um exemplo daquilo que se torna aceitável quando rejeitamos a Deus. A propósito, Paulo menciona também a avareza, maledicência, desrespeito e maldade de coração entre outros pecados semelhantes (1:29-31).

 

Este jovem, claramente, não rejeitava Deus, mas o seu pastor rejeitou-o, embora ainda não o tivesse excomungado oficialmente. Tristemente, os seus pais, líderes no apoio de causas conservadoras de "valores da família" estavam envergonhados do filho, e aceitavam totalmente o veredicto do pastor.

[...] O que esse jovem mais precisava era de absolvição - a constante afirmação e segurança de que os seus pecados foram perdoados pelo amor de Cristo. Somente o perdão pode trazer-nos de volta ao arrependimento que é evangélico (ou seja, de boas novas) em vez do mero arrependimento legal (ou seja, produzido pelo medo). Ele acabou por se mudar para os escritórios da nossa organização na Califórnia, servindo como voluntário para ajudar outros a encontrar essa maravilhosa graça.

 

Voltando para casa após um ano connosco, ele encontrou-se mais uma vez na armadilha do ciclo de condenação-culpa-transgressão. Acabou por tirar a sua própria vida. [...] ele permanece para mim como um símbolo da tragédia da má teologia, e das tragédias por ela produzidas de maneira prática. Precisamos de reconhecer, repetidas vezes, que é somente o evangelho - ver Cristo no seu ofício salvador - que pode dar-nos fé e obediência autêntica. Os mandamentos e as advertências fazem parte da Escritura; temos de as reconhecer, pois quando o fazemos conhecemos mais profundamente a nossa necessidade de Cristo. Mas, oa mandamentos e as advertências - mesmo quando apresentados de forma polida como sugestões de ajuda - não podem insuflar as velas do nosso barco com fé, amor e esperança. Sem o evangelho, a lei é um fardo terrível que nos conduz ao desespero ou então à desilusão da auto justiça.

 

[...] o conhecimento da verdade é uma questão de vida ou morte. A má teologia pode, literalmente, matar alguém fisicamente, assim como tira a vida espiritual de tantas pessoas. A sã doutrina não é, como muitos presumem hoje, uma distracção da vida verdadeira de discipulado cristão, mas sim, preparação para essa vida de discipulado."

 

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Reféns da cultura do mercado - Niilistas 1

Vivemos numa sociedade insatisfeita. As pessoas tornam-se cada vez mais individualistas, mais egocêntricas, imorais  e amorais. Tudo, desde a ciência à política, passando por algumas religiões, buscam desesperadamente tirar Deus da criação para não terem um Criador ao qual prestar contas. 

Há pessoas que se sentem esmagadas, fragmentadas e confusas. Discordam daqueles com quem antes concordavam e alinham-se com aqueles que antes eram motivo de discussão acirrada. Metem-se em tudo na procura de algo a que chamam crescimento pessoal e espiritual: regressão, análise Jungiana, "Um curso em milagres", grupos de 12 passos de recuperação, meditação zen, reiki, yoga, Wicca, hipnoterapia, hipnose Ericksoniana, espiritismo, etc..

Procuram incansavelmente novas experiências e depois dizem que apenas querem simplificar a vida... Quantas pessoas conhecemos que vivem assim? Pessoas que são consumidoras vorazes do grande mercado das realidades em que se transformou o mundo ocidental: uma religião aqui, uma ideologia ali, um estilo de vida diferente algures.

 

O psicólogo Robert Jay Lifton chamou "a esse difundido anseio por identidades sempre novas "estilo proteano", do mito grego de Proteu, que muda constantemente de forma para fugir aos seus captores. Antigamente, ter múltiplas personalidades era sinónimo de transtorno ou doença, diz Lifton, mas hoje, é uma característica comum do pós-moderno. Uma rede de vendas de moda adoptou o slogan "Reinvente-se". Essa "paixão por renascer", pelo menos em parte, é alimentada pelo insistente senso de culpa [pecado] que jamais é confrontado. Todo o mundo deseja ser algo ou alguém diferente, uma nova criatura - mas sob os seus próprios termos.

 

Isso pede uma série viciosa e no final insatisfatória de "renascimentos", exactamente porque todos ocorrem, como disse o autor de Eclesiastes "debaixo do sol" (Eclesiastes 1:3), sem qualquer significado que penetre de fora da teia de possibilidades quotidianas deste mundo. "Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade" (Eclesiastes 1:2). Quem disse isso era alguém que tinha tudo. A nossa sede por perpétua auto transformação é gerada, em grande parte, pela cultura do mercado. Vemos propaganda de pessoas que são como gostaríamos de ser, com vidas que gostaríamos de viver, e que se vêem com a imagem que queriam projectar de si mesmas. No entanto, a verdade é que os nossos corpos estão a envelhecer, o nosso carisma a desvanecer-se; a nossa mente esquece-se e é demasiadamente distraída por aquilo que é trivial e urgente. As nossa almas são tão magras que nem sequer imaginamos o que seja glorificar a Deus e gozá-LO para sempre.

 

Em tudo isso, vivemos do redemoinho da feira das vaidades, esperando que algo novo apareça na nossa vida para mudar tudo. Assistimos aos fogos de artifício, olhamos uns para os outros e indagamos se isso é tudo o que existe para preencher a nossa vida. Essa era que se desvanece, com as suas falsas promessas e garantias de ter "o seu dinheiro de volta", transformação, luxúrias insignificantes, e diversões contínuas que na verdade são o "ópio do povo" - não a fé bíblica. O carnaval anestesia-nos quanto à realidade da Quaresma, mas é a Quaresma que nos conduz à Páscoa!

 

Noutras palavras, a vaidade da nossa cultura distrai-nos da vida na sua plenitude, embalando-nos numa superstição infantil de que tudo vai bem e de que o futuro é benigno. Somos uma tela vazia, pintando sobre nós mesmos um cenário diferente num esforço para não sermos a pessoa da canção do Beatles: "Nowhere man, living in nowhere land, making all his nowhere plans fot nobody" (Homem nenhum, vivendo em lugar nenhum, fazendo todos os seus planos de nada para ninguém).

 

Não é isso que temos a tendência de pensar que somos. Não é o que os evangelistas da tranquilidade dizem que somos; mas é exactamente isso que sabemos que somos, quando as luzes se acendem. Niilismo é o nome que damos ao fenómeno. Literalmente, significa "ser nada".

 

Baseado no livro de Michael Horton:

Bom Demais Para Ser Verdade, págs. 145-147

 

Continua:

 

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